Assentamentos, Partilhas

O direito universal à respiração

Há um ano líamos em busca de respostas o texto “O direito universal à respiração”, de Achille Mbembe, que, de tamanho impacto em nossas práticas, contribuiu para dar nome ao projeto: RESPIRO.

O autor nos ajuda a pensar como a compreensão do ciclo de destruição humana (passado, presente e futuro) é fundamental para o entendimento de como um vírus está sendo capaz de devastar vidas e grandes sociedades.

A Covid-19 se instaurou em um mundo já desigual e em desequilíbrio e, após um ano de pandemia, está evidente que o seu efeito sobre os diferentes grupos e países não é o mesmo.

Como nos sugere Mbembe, não se trata de combater um mal para voltarmos ao que era antes: a reconstrução “só poderá ocorrer ao custo de uma ruptura gigantesca, produto de uma imaginação radical”.

É necessária uma “interrupção voluntária” para reconstruir um outro em comum, não somente entre os humanos, mas entre a humanidade e a própria biosfera.

O texto você pode acessar aqui!

🌺 Com carinho,
Respiro

Condições de trabalho, Cuidar do mundo, Experiências e trajetórias, Partilhas, Política e gestão, Saúde do trabalhador, Saberes e práticas, Sentidos e valores, Trabalhadores da saúde

Quem são os trabalhadores da saúde que atuam na pandemia?

São trabalhadores que atuam na pandemia por meio do cuidado direto com pacientes do Covid-19 e nos demais serviços de saúde.

Esses trabalhadores são essenciais ao cuidado e estão presentes nos leitos hospitalares, nos serviços administrativos, na vigilância, na recepção, na manutenção de equipamentos, nos laboratórios, na limpeza, na conservação das unidades de saúde, na segurança, na alimentação, nos transportes, nas ambulâncias e nas equipes multiprofissionais da atenção básica. Eles continuam promovendo a saúde e prestando assistência à população em tempos tão difíceis.

Com a pandemia, todos os trabalhadores da saúde tiveram o seu cotidiano atravessado por inseguranças, medos e pela necessidade de adaptação a uma realidade jamais antes vivida.

E é nossa intenção apoiá-los.

🌺 Com carinho,
Respiro

Partilhas, Política e gestão, Saberes e práticas, Trabalhadores da saúde

Maria Leitão, ACS de Manguinhos

Para Maria, agente comunitária de saúde de Manguinhos, na cidade do Rio de Janeiro, uma das partes mais triste do trabalho na pandemia foi estar longe do seu território, longe das pessoas que, antes de tudo isso começar, acompanhava diariamente. Sendo o cuidado no território a parte que mais “ama” em sua atividade, contou que a distância causou “insegurança” para realização do seu trabalho.


A situação de isolamento e afastamento em função do vírus colocou grande parte de nós longe de pessoas e lugares que gostamos e que dão sentido a nossa vida, incluindo os espaços de trabalho. Contudo, estudos anteriores já indicavam os sentimentos de tristeza, desgaste e a perda de sentido no trabalho entre os agentes comunitários de saúde associados às mudanças recentes na gestão do trabalho em saúde, que designam para essa categoria atividades cada vez mais burocráticas e produtivistas, que os afastam do território e impedem a construção dos vínculos e do cuidado humanizado tão valorizados por esses trabalhadores.


O Respiro segue atento às desigualdades que atravessam o mundo do trabalho, em que alguns podem decidir sobre o cotidiano de sua atividade e outros não, e entende que a pandemia para alguns agudiza processos que há muito já vinham causando sofrimento. Entendemos que esse é o momento de refletir sobre passado, presente e futuro e que pausas conscientes, como a conversa com a Maria, são necessárias para impedir um retorno irrefletido a uma lógica de trabalho e de vida que antes já estava adoecendo trabalhadores no SUS.

Esses trechos foram extraídos da conversa que tivemos com Maria no dia 31 de março de 2021. Além desse tema, ela falou da importância do apoio recebido pela sua equipe amizade durante tempos de trabalho tão duros, do sentimento de ter sido vacinada, dos processos de sucateamento e abandono da saúde que experimenta em seu cotidiano e de como a pandemia a fez ressignificar a sua atuação na atenção básica como ACS.


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Com carinho,
Respiro